Quem nunca censurou-se
e tão pouco aproximou-se
do inevitável confronto
de um a outro ponto
do conflito inerente
da massa e do agente
da faísca reagente
fogo mais ardente
queimando tudo a frente
quebrando junto a corrente
dos tolos inexperientes
da corte incoerente
da fonte ou nascente
de todo o mal inocente
da corja repulsiva
a resistência intuitiva
do fim, do meio, justificativa.
Gostaria de ser mais direto, mais simples, mais sincero
não sei ao certo, gostaria de ser correto de parecer esperto
de esquecer aberto, a porta do incerto, para que pudesse sair o inquieto
o imprudente, o indecente, o mais recente de todos os entes
o mais aparente, aquele que depende do ser carente.
Mentiras poucas mas todas vivas
tendencias livres pobres e ricas
mostradas aos cegos, surdos
que ainda creem em absurdos
dignos de pena e de morte
misericórdia apenas para os fortes
distribuição gratuita de ideologias
o monetarizar de todas as rodovias
abdicação do descaso e da paz
vivida lembrança de alguns anos atrás
mas hoje podemos talvez um pouco mais
liberdade é uma piada sempre muito sagaz
Enquanto uns clamam por atenção
outros apenas querem a obliteração
do ego alheio, atroz, semelho
do intimo da sabedoria
colhido como mercadoria
sem popa, sementes ou casca
a pele, superfície que rasga
que aparente, mas esmaga
sob o olho esta a estaca
do réu, o jure se destaca
isso tudo se fosse outrora
não teria sentido se não agora.
Ultimo
Sua ideologia não esta a venda
mesmo que perca tudo nunca se renda
seja você mesmo mas seja legal
disse a rainha quase passando mal
o corvo que rodei a carne podre
tem nome, endereço, e ate telefone
mais do que muitos nobres homens
da riqueza que faz o próximo passar fome
seria inversamente proporcional?
a burrice impera junto a falta de moral?
cegos, tolos que não querem ver
ao seu lado aqueles que nem sabem escrever
mais honrados e dignos de um paraíso
que longe esta de um ultimo suspiro
de meias verdades e bons pensamentos
todos juntos aproveitando um bom momento
ao lado o sossego a direita o desespero
a esquerda dissolvida no meio o aquecimento
no eco e a neblina cinza e escura
a chuva e as lagrimas juntas na amargura
todavia meu respeito
aos corajosos que batem no peito
e recitam meio sem jeito
o coro, o lamento
Sem Vaidade
Todos queriam amor próprio
mas o buscavam no próximo
Todos queriam amor verdadeiro
sem saber que o amor é passageiro
Todos buscavam um espelho
Pois se viam distantes alheios
Separados de tudo e de todos
ao mesmo tempo junto aos poucos
distorcendo a realidade morta
dissolvendo a felicidade a volta
dissuadindo a beleza de outrora
devorando a esperança agora
trocando o que esta pelo que será
roubando a luz da lua que não voltará
sozinho no escuro da tarde ensolarada
no escuro sozinho na multidão desesperada
clamando por verdade, bondade e saudade
clamando pelo sol, pela luz e pelo brilho
clamando por miséria, pela plebe ineria
chorrando pela derrota de si próprio
chorrando pela vitoria do irrisório
Sorrindo por sorrir, chorando por chorar
sem motivo sem vontade
sem medo sem vaidade.